Promoção de Natal

24 de ago. de 2009



Capítulo V


Outubro de 1633

 


                       Anavilhanas estava sendo preparada para o ritual da fertilidade, pois chegara a época da celebração. Yana e Amanari iriam com outras guerreiras até a ilha de Tupé para colher o paricá, uma erva alucinógena usada durante o ritual para evitar o envolvimento emocional das guerreiras com seus pares. 

         As canoas oscilavam perigosamente sobre as turbulentas águas do rio Negro, agitado devido à tempestade ocorrida horas antes. As jovens precisariam ter muito cuidado durante a travessia, pois o rio parecia pronto a tragar quem ousasse enfrentá-lo. Chegando ao seu destino, elas aliviaram a tensão ao se embrenharem entre os arbustos para colher a erva. Aos poucos, o trabalho deu lugar à diversão, e correndo, subiram a colina que dividia a pequena ilha. De lá era possível vislumbrar o espetáculo que os botos cor-de-rosa proporcionavam a quem pudesse vê-los. Distraídas, caminharam de volta para a areia da praia, quando o encanto foi quebrado pela cena que se apresentou: espalhados pela areia branca, vários homens encontravam-se desacordados, apresentando ferimentos profundos. O cheiro de sangue fresco já atraía os répteis para o local. 

          Yana engoliu em seco, e se apressou para afastar um jacaré que se aproximava de uma das vítimas. Avançou em sua direção, e fixando o olhar nos olhos do animal, buscou dentro de si o instinto primitivo de seus ancestrais. Então, ordenou mentalmente que voltasse para a água. Hipnotizados pelo poder emanado daquele espírito, os répteis retornaram ao rio.  Um ligeiro mal-estar se apossou da mulher, e recuperando-se do transe, ela falou com a voz embargada: 

         -A fúria dos deuses foi implacável com eles. Venham, precisamos ajudá-los. Amanari, temos que ver quem está mais ferido. Maíra, vá até a colina e traga cipó-d'alho e unha-de-gato. Examinem todos com cuidado, lavem os ferimentos e usem as ervas. Depois levaremos os homens para as canoas. 

       Elas se apressavam para cumprir as ordens. Ouvindo um lamento de dor, Amanari precipitou-se em direção ao som, gritando agitada:

      -Yana, encontrei mais um com vida! Ajude-me a levantá-lo para que possa respirar melhor. Depressa! 

    Imediatamente Yana ajudou a irmã, e as duas encontraram dificuldades para recostá-lo no pequeno monte de areia. Quando finalmente conseguiu virá-lo, Yana o fitou, atordoada. Nunca havia visto um homem de traços tão perfeitos. Os cabelos longos e louros misturavam-se aos grãos de areia, e as roupas molhadas e esfarrapadas revelavam músculos de um corpo poderoso. Um corte profundo rasgava sua testa, e o estranho parecia sofrer, com a boca comprimida em um gesto de dor. Então, sem se dar conta, ela passou suas mãos pela fronte do homem, necessitando tocá-lo de alguma forma. Confusa, ela não compreendeu o sentimento que invadiu seu peito, e por um breve momento desejou tomar para si a dor que ele sentia.  

    -Maíra - ela gritou aflita -, traga a erva para estancar o sangramento. Este homem está muito mal. 

          

       O suave toque em sua testa aliviou a dor que ele sentia, como se fosse o toque de um anjo. Por um instante, Rodrigo abriu os olhos para ver quem o acariciava tão docemente. 

        -Quién eres tú?

       A voz rouca acariciou seus ouvidos, e Yana fitou o desconhecido, mergulhando no verde de seus olhos, que possuía um tom tão vivo quanto o das folhas da floresta. Ele estendeu a mão para ela, querendo dizer algo, e ela afagou a mão do estranho entre as suas, sentindo um agradável calor tomar conta de seu ser. Tentou organizar os pensamentos, e alarmada, prendeu a respiração. O tempo parou. E ela só voltou à realidade quando ouviu ao longe a voz angustiada de sua irmã: 

         -Yana, o que houve, você está bem? 

         Respirando profundamente, ela soltou as mãos do ferido. 

       -Não se preocupe, foi um ligeiro mal-estar. Fiquei fraca devido à energia que doei para ele.

     Rodrigo fez um enorme esforço e abriu os olhos novamente, sorrindo para sua salvadora. Foi o sorriso mais terno que ela já havia visto, e isso a comoveu. Prometeu a si mesma que ia salvá-lo, mesmo que o ato ligasse seu espírito ao dele para sempre... O tempo era a diferença entre a vida e a morte, precisava apressar-se.


            

19 de ago. de 2009

A Magia do Amuleto - Introdução

Introdução


Entre as inúmeras lendas que cercam a Amazônia de magia e mistério, há uma que conta a história de tribos constituídas exclusivamente por mulheres. A formação dessas tribos esteve ligada à exploração e humilhação que as mulheres sofriam junto aos homens com quem viviam. Corajosamente, elas fugiram e se organizaram em grupos.
Ficaram conhecidas como Icamiabas - mulheres sem marido - e passaram a ser respeitadas por sua capacidade de sobrevivência. Escolhiam, para a perpetuação da tribo, guerreiros indígenas fortes e corajosos, ou homens brancos capturados nas lutas travadas. Durante o ritual de procriação, eles eram presenteados com pequenos objetos, feitos com o barro verde retirado do fundo da Lagoa Sagrada - os muiraquitãs. Com o passar do tempo, esses amuletos foram encontrados por naturalistas e arqueólogos em vários pontos da Amazônia. Atualmente, a maioria se encontra exposta em museus do exterior ou em coleções particulares.
Em 1541, uma expedição espanhola comandada por Francisco de Orellana percorreu o Rio Grande (conhecido como Mar Dulce), desde os Andes até a foz, no oceano Atlântico, em busca de ouro e prata. Durante a travessia, houve um confronto com várias guerreiras na foz do rio Nhamundá (divisa entre os estados do Amazonas e Pará). Este confronto foi relatado em diário de bordo por Frei Gaspar de Carvajal, que as descreveu como “mulheres altas, belas, fortes, de longos cabelos, que andavam completamente despidas, com arcos e flechas, guerreando como dez índios”. Elas foram associadas às guerreiras da mitologia grega, e o rio foi batizado como "Rio de las Amazonas".
E aos poucos a Amazônia revelou-se ao mundo, despertando nos povos conquistadores o interesse pelos seus mistérios e suas riquezas. Mas a exploração que se seguiu deixou um rastro de degradação e morte na imensa floresta.
Nossa história se inicia com essa busca desenfreada por riquezas, e o encontro inevitável com a magia do lugar…



Cristina Brandão e Márcia Figueiredo

5 de ago. de 2009

Our Dreams

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.

Mas há também quem garanta que nem todas,
só as de verão.
No fundo, isto não tem muita importância. 

O que interessa mesmo não é a noite em si,
são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre,
em todos os lugares,
em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado."

William Shakespeare

4 de ago. de 2009

Bienal do Livro - RJ 2009

Caros Amigos 
Postamos agora a última carta enviada aos nossos editores:

Somos duas autoras que um dia acreditaram em vocês. Nossa maior decepção foi não recebermos um simples relatório de vendas, onde constasse a quantidade de livros que vendemos. E não foi por falta de solicitação.  
Aos poucos resolvemos nos afastar, e hoje nos deparamos com esse blog, que para nós era desconhecido.  
Parabéns às novas aquisições, que estão tendo muito mais divulgação do que os primeiros a acreditarem na Baraúna. Quando lançamos o nosso livro, fizemos questão de enviar fotos do nosso evento, mas elas devem estar perdidas por aí...  

Semana passada soubemos de um simpósio ocorrido em SP, sobre novos escritores que escreveram sobre lendas e mitos do Brasil. Mas talvez seja excesso de expectativa nossa esperar que vocês associem uma publicação ( já esquecida) com um tema que certamente vocês desconhecem constar de seus arquivos. E quanto à Bienal do livro no RJ? Vocês teriam alguma ideia para propôr aos que porventura queiram participar? Um stand para autor independente está por volta de 1750,00. Será que como editora independente vocês teriam como dividir esse espaço entre autores que se interessassem? Pois nós não dispomos desse dinheiro, além do que precisamos desembolsar para adquirir livros para a exposição. Talvez vcs tenham alguma influência entre os organizadores para sugerir esse tipo de arranjo.  

Abrimos diariamente e-mails, e nenhum contato é feito desde o pedido de atualização de dados cadastrais, que não foi respondido por não haver nenhuma alteração. E quanto à redução do preço do nosso livro que solicitamos em troca de nossa comissão baixar? Queremos que o livro tenha condição de venda, posto que os preços médios de bons livros de renomados autores no mercado estarem na faixa de 22,00. De que adianta as parcerias que vcs fazem com outros sites de venda se nossos livros passam a competir com livros que custam 9,00?  
Pelo jeito, "A Magia do Amuleto" vai continuar em seu túmulo virtual ainda por um longo tempo... Marcia e Cristina

17/03/2009 - Descaso+Incompetência=Engano Imperdoável

Descaso+Incompetência = Engano Imperdoável

Correção / Autoria: Cristina Brandão e Márcia Figueiredo

Fazendo uma busca no Google, surtamos!!! (pra variar) Ao digitarmos o título do nosso livro, encontramos uma página de venda da editora, e ao lado do título, uma outra pessoa constava como autora. Olhamos uma pra outra e ficamos sem entender: será que o surto era tamanho que outra escritora era também nossa parceira e não sabíamos? rsrrssrrs
Infelizmente, tivemos outra prova que a nossa editora, além da pouca divulgação feita, quando faz, faz m#rda...
Levamos dois anos trabalhando sério pra ver nosso livro com o nome de outro autor? Ora, faça-me o favor: TIRA ESSE SAPO DA MINHA GARGANTA!



Sapo, cuidado que a cobra te pega...

A Sacerdotisa Yana e o Capitão Rodrigo

Capa do livro "Herança da Paixão", de Shannon Drake
Minha'lma de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver, pois que tu és já toda a minha vida

Não vejo nada assim, enlouquecida
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser, a mesma história tantas vezes lida

Tudo no mundo é frágil, tudo passa
Quando te digo isso, toda a graça
De tua boca bonita fala em mim, de olhos postos em ti, digo de rastro

Podem voar mundos, mover astros
Que tu és como um deus, princípio e fim."

Florbela Espanca