Promoção de Natal

28 de set de 2009

Em busca de Metais Preciosos



(...)
O índio concordou com a cabeça.
-E por que os guerreiros da sua tribo estavam lutando ao lado delas?
-Nossas tribos são aliadas e trocamos favores.
-Que tipo de favores?
-Ajudamos em batalhas, participamos do seu ritual de fertilidade, ou então oferecemos nossos prisioneiros para gerarem novas vidas. Recebemos em troca presentes brilhantes, como esses que você me deu.
Rodrigo sentiu que precisavam invadir logo aquele Templo, pois a cada momento aumentava a certeza da existência de metais preciosos nas terras que encontraram.
-Quando pode nos levar até lá?
Desconfortável por trair as aliadas de seu povo, Acauã cobriu o rosto com as mãos.
-Daqui a três luas as águas subirão e poderemos chegar à aldeia pelos igarapés. Mas temos que ter muito cuidado, pois existem animais perigosos neste caminho pelo rio. Eles comem gente, mas protegem as guerreiras.
Ainda insatisfeito com o pouco que descobrira sobre suas inimigas, Rodrigo indagou enfurecido:
-Que diabos de mulheres são essas que os animais selvagens não atacam e que lutam como homens? Que poder é esse que elas possuem?
-É a Magia.
-Por Dios, como posso acreditar que algo assim as torne tão poderosas a ponto de nos derrotar? Não acredito nisso. Acredito na estratégia de luta, na força e na habilidade dos meus soldados! - Ele franziu o cenho, quando uma idéia lhe veio à mente. - Em que época ocorrerá esse ritual sagrado?
-Daqui a cinco luas, quando o ciclo da vida na floresta se renovará.
Rodrigo esboçou um sorriso. Talvez houvesse encontrado o ponto frágil daquela tribo invulnerável. Sim, esse seria o meio para invadir o Templo... Ele buscou o olhar de Hugo, que acompanhava a conversa, e comunicou:
-Nessa época participaremos do ritual como prisioneiros da tribo de Acauã. Será o momento da nossa invasão.
(...)

23 de set de 2009

23 de setembro - Alma em Flor...

"Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso." Charles Chaplin


Querida amiga e parceira
Nosso tempo nessa vida tem sido alegria e eterno partilhar; angústia e completo desatino; pressão, amor e dor; caminho árduo, pedras constantes; aromas, cores e flores; dias e noites; trabalho intermitente, busca incessante...
Aprisionada nesse corpo, minha alma tatuada em versos, prosas e paixões goza a liberdade de resgatar amizades e identidades...
Como agora, quando agradeço pela dádiva de ter você como minha amiga.

Feliz Aniversário, Cris!
Márcia


21 de set de 2009

O Dilema De Yana


  "No caminho de volta à aldeia, Yana não parava de pensar em tudo que acabara de acontecer. Com os punhos cerrados, apertava o cabo da faca com força em suas mãos, não acreditando que passara por aquele tormento.

   Por que Rodrigo a ferira tão profundamente? Num instante, ele a encheu de vida; no outro a matou.  E ela consentiu. Sim, ultimamente, havia se deixado enfraquecer. Então esse era o sentimento contra o qual o seu povo se afastara, e sua mãe a havia alertado? Amar trazia muita dor e sofrimento. Não valia a pena.

  Ao chegar, assustou-se ao ver a mãe acordada. Sentou-se a seu lado olhando-a nos olhos, e segurando suas mãos, falou serenamente:

  -Não me pergunte o que aconteceu, mas entendi a sabedoria de suas palavras.  Preciso provar a mim mesma que sou digna de guiar o nosso povo, e para isso devo participar do ritual com o capitão, pois só assim eu saberei se posso servi-las como uma verdadeira sacerdotisa. Tenha certeza de que o que passei serviu para fortalecer o respeito aos costumes do nosso povo, e agora faço deles o meu caminho. Você tem minha palavra, e quero a sua de que o meu pedido será atendido.

   Caia percebeu o brilho diferente no olhar da filha, e sentiu que poderia confiar nela. 

   -Não quero entender o porquê do seu pedido, mas acho que você tem que enfrentar isso como uma prova final. O confronto com a dor trará feridas profundas, mas quando elas cicatrizarem, você será mais forte. Sempre é melhor enfrentar os desafios para não haver arrependimentos. O que acaba de pedir será feito."  




15 de set de 2009

Ao encontro de seu filho...



    " O barulho das ondas batendo contra o casco do navio era como um lamento aos ouvidos do capitão, e a cena em que o corpo do amigo fora engolido pelas águas do mar não saía de seu pensamento. No íntimo, Rodrigo sabia que a dor pela perda de Juan seria superada. Pensava às vezes que até seria melhor se fosse ele a sucumbir naquela derradeira batalha, pois seria o modo mais fácil de acabar com sua amargura. Seu instinto o fez apertar o amuleto na palma da mão. Ele nunca fora um covarde... O cansaço estava vencendo o guerreiro, e com passos largos desceu até a cabine para tentar dormir um pouco. Ao deitar-se, sentiu os olhos pesados, e nem percebeu quando adormeceu. Foi um sono agitado, abalado por fatos recentes de sua vida. Sua mente não descansava... As sangrentas batalhas, as longas noites solitárias e a imensa saudade de sua amada o conduziam a um longo túnel, de onde não havia saída. De repente, um vulto surgiu, estendendo-lhe a mão. Era uma mulher com longos cabelos negros, que caíam sobre uma veste prateada. Um amuleto em forma de sol repousava em seu colo. Ao vê-la sorrir, sentiu um grande amor envolvê-lo.
-Mãe?
-Filho, venha comigo, Yana precisa de você!
Então ele se levantou, unindo suas mãos às dela, e a acompanhou. Sua camisa encharcada de suor estava colada aos músculos enrijecidos pela tensão; subiu pela escada de corda até a cesta da gávea do mastro mais alto, e viu a vastidão do mar envolta em uma densa bruma. O forte luar penetrava pela névoa, criando visões. Viu o rosto de Yana numa máscara de dor, chamando por ele. Precisava estar com ela. Fechando os olhos, atravessou a escuridão e postou-se a seu lado, envolvendo com amor suas mãos úmidas e geladas."

9 de set de 2009

Fogo da Paixão


"...E enfeitiçada, deixou-se enlaçar pela cintura, aproximando seu rosto do dele perigosamente. Foi abraçada de forma possessiva, e fechou os olhos, encostando a cabeça no peito de seu par. A boca de Rudá buscou o seu pescoço de forma predadora, e a quentura de seu hálito despertou-a do torpor em que se encontrava. Abriu os olhos, e assustada, deparou-se com o olhar de Rodrigo já dominado pela fúria. A vibração emanada por ele era perturbadora, e a trouxe de volta à realidade. Surpresa por não ter impedido a intimidade forçada por Rudá, Yana puxou Maíra para ficar em seu lugar. Saiu da roda apressadamente, passando por Rodrigo como se não o tivesse visto, buscando acabar com a sensação estranha que sentia. Sem saber o que fazer, ainda sob o efeito da droga, ela foi andando em direção à fogueira. Aos poucos, Yana foi se envolvendo com o calor do fogo e a beleza das chamas, e fechando os olhos, Rodrigo veio à sua mente. Instintivamente voltou a dançar, como se seu corpo exigisse os movimentos sensuais do amor. Ela foi ficando tão quente que parecia estar sendo consumida pelo fogo. Mas o calor que sentia era do fogo da paixão, pois Rodrigo chegara perto dela, e agora acompanhava seus movimentos com a força máscula de seu corpo pressionando-a. Não suportando mais o desejo, sussurrou em seu ouvido:
-Te quiero...
Ela sentiu suas mãos fortes a percorrer-lhe o corpo, descendo até as coxas e trazendo a veste que lhe cobria os quadris para cima. Abriu os olhos e fitou o fogo, entregando-se ao dono daquele poder. Foi quando os lábios sedentos do homem exploraram a delicada curva de seu pescoço, e as mãos se apossaram de seu infinito desejo, que clamava por ele. Sem saber se pelo efeito da bebida ou se por vontade própria, ela se entregou com sofreguidão àquelas carícias.
Buscavam um no outro a energia vital para permanecerem vivos. Rodrigo girou Yana lentamente e a pôs de frente para si. Seus braços a aprisionaram e as bocas se buscaram de forma voraz. Seus corpos queriam se fundir, e não havia como fugir: suas almas se uniram, e um não viveria mais sem o outro. O beijo devastador teve o poder de libertar o sentimento que até então tentaram ocultar em seus corações..."

A Sacerdotisa Yana e o Capitão Rodrigo

Capa do livro "Herança da Paixão", de Shannon Drake
Minha'lma de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver, pois que tu és já toda a minha vida

Não vejo nada assim, enlouquecida
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser, a mesma história tantas vezes lida

Tudo no mundo é frágil, tudo passa
Quando te digo isso, toda a graça
De tua boca bonita fala em mim, de olhos postos em ti, digo de rastro

Podem voar mundos, mover astros
Que tu és como um deus, princípio e fim."

Florbela Espanca