Cristina falando:
Sete dias depois do último contato com a Editora, sonhei que estava cercada de "bostas" em profusão. Entendam bem: bosta mesmo, vulgarmente conhecida como "cocô". Eu abria a janela da minha casa e chovia bosta. Corria para o jardim e a bosta jorrava da fossa. Acordei com a sensação de que meu mundo viraria o caos. Ao chegar para trabalhar, contei o sonho pra Márcia, e achamos que seria nosso fim... Nossos maridos estavam certos, estávamos fadadas ao fracasso! Uma idéia surgiu: Vamos ver o significado deste sonho. A interpretação apareceu logo na primeira resposta do google (nosso guru virtual): Merda significa muita sorte, nas palavras do confiável site:
"FEZES: Incrível, mas é um sonho de bom agouro; indica sorte no campo profissional; realização de negócios vantajosos e lucros em qualquer tipo de empreendimento."
Cris e Márcia falando:
Dois dias depois, encontramos nossos sonhos e esperanças depositados com total desleixo na caixa de correio da Cris, por um carteiro substituto e inexperiente. Com metade do conteúdo exposto, poderia ser levado por qualquer um, ou ser danificado. Ao abrir a embalagem, qual não foi nosso espanto ao percebermos que se tratava do livro tão ansiado. Agora sim, tínhamos a prova de que ele havia ficado "melhor que ótimo", citando as palavras do nosso editor. Desde então, foi como se uma onda do mar banhasse nossas almas, levando todos os sentimentos negativos trazidos pela angustiante espera.
Segue abaixo a carta-resposta que enviamos à Editora Baraúna, ainda envolvidas pelas emoções daquele dia:
Um fato ocorrido hoje fez cair por terra todos os nossos conceitos e pré-conceitos à cerca de sua instituição. Sim, porque Baraúna é uma instituição acolhedora, com raízes fortes, e propensa à imortalidade. Tal nome, escolhido em momento de completa magia, não poderia significar nada menos do que a própria árvore, que, tão firme em seu propósito de crescer e abastecer seus frutos com a mais pura e sagrada seiva, nunca demonstraria sinais de descaso por nenhum de seus filhos. Filhos, sim. Pois foi esse o sentimento que despertou em nosso coração quando abrimos o despretensioso pacote abandonado na caixa de correio da casa da Cris: Um amor incondicional pela Mãe Baraúna!!!!
Que ela cresça frondosa e livre do desmatamento, regada pelo néctar financeiro de milhões de leitores, enlevados pelo conteúdo valoroso e delicioso de seus frutos.
Sem mais, subscrevemos-nos, totalmente arrependidas de deslizes momentâneos causados pela ansiedade + TPM+cobrança + falta de contato + correio incompetente +...
Abrimos nossa caixa de Pandora...
Essa caixa não foi um presente de Zeus, mas construída cuidadosamente por nós. Durante anos de dedicação e anulação perante a vida, fomos pouco a pouco enchendo nossa caixa de lembranças, insucessos, alegrias, esperança, decepções, amores, vitórias, fracassos, vergonha, desistências, desejos, teimosia, saudade... Mantivemos tudo muito bem guardado, mas a rotina de guardar sentimentos se rompeu quando o inesperado não quis participar daquele jogo. E de repente, estávamos em meio a uma explosão de cores, sons, percepções. Foi o despertar. Como se nosso sangue estivesse mais vivo, como se nossos olhos enxergassem mais e os ouvidos escutassem todos os sons do mundo.
Estamos diferentes. E ver a vida com esse brilho nos tornou especiais, talvez um pouco invulneráveis, como se nada mais nos surpreendesse. Não há medo ou apreensão, só a certeza de que estamos aqui, e de que agora é pra valer!
"Abençoa a taça que quer transbordar para que dela emanem as douradas águas, levando a todos os lábios o reflexo da tua alegria."
Assim falava Zaratustra...
Promoção de Natal
4 de ago. de 2009
Editando... publicando? 10/09/2008
O livro já está pronto! Depois de dois anos trabalhando com afinco e dedicação, apesar dos inúmeros obstáculos, finalmente fechamos um ciclo: "A Magia do Amuleto". Registramos nossa obra junto à Biblioteca Nacional, e saímos de lá nos julgando "as escritoras". Fomos comemorar com chopp e galeto (isso foi antes da lei seca...).
Tivemos a certeza de que a história agradaria a todos os apreciadores do gênero romântico. E começamos a saga da busca pelas editoras.
1ªtentativa: Apoio dos amigos
Resolvemos entregar a obra para uma pessoa amiga, que iria encaminhá-la a um conhecido de uma renomada editora. Fiasco total. Depois de três meses aguardando, solicitamos a devolução da obra. E imagine a nossa decepção ao percebermos que, além de não ter sido "aprovada", ela não recebera nenhuma anotação sobre o motivo da não publicação. E uma ligeira desconfiança até hoje ronda nossos pensamentos: "Será que alguém leu?" Tudo bem. O caminho ainda não era esse.
2ªtentativa: Publicação independente.
Decidimos. O caminho era uma "publicação independente". Encontramos vários editores independentes na internet, e optamos por um que estava estabelecido no centro de nossa cidade. Marcamos a entrevista e fomos até lá. O trabalho tinha uma qualidade excelente, e o editor nos pareceu uma pessoa séria. Mas o preço final foi um balde de água fria no nosso entusiasmo. Teríamos que fechar o contrato em mil exemplares, chegando próximo aos dez mil reais. Se optássemos por uma tiragem menor, o custo unitário seria inviável. Detalhe: nossos maridos sempre foram contrários ao nosso trabalho, e não possuíamos outra fonte de renda. Entendam: (é duro assumir pública e bloguemente essa terrível situação) somos teúdas e manteúdas tentando penetrar no mundo dos fardões. Pelo menos, a metade da idade a gente já têm...
3ªtentativa: Cadastro Virtual
Descobrimos através da nossa grande aliada - A INTERNET, que poderíamos nos cadastrar em um site que atuava junto a editoras, servindo de intermediário em um processo seletivo para os escritores. Ficávamos expostos como em uma vitrine, com a sinopse do livro e uma parte dele sendo avaliados pelos interessados. Após quinze dias, oito editoras haviam lido parte do livro, e três entraram em contato, solicitando a obra completa. Estávamos nas nuvens. Avaliamos as propostas.
1ª Uma editora que custeava 50% da produção. Não queríamos; a 2ª prometeu mundos e fundos, oferecendo um lugar em uma prateleira virtual, onde, pela bagatela de menos de três reais(sendo que tínhamos direito a 20% desse valor), as pessoas poderiam ler nosso livro pelo computador. Como controlar isso? Enquanto alimentávamos a dúvida, surgiu uma oferta mais tentadora: uma autopublicação, onde pagaríamos um preço razoável pela editoração do livro, e ele seria comercializado pela internet, no site da editora.
E aqui estamos: nosso livro está no forno. Esperamos que ele não seja incinerado...
Tivemos a certeza de que a história agradaria a todos os apreciadores do gênero romântico. E começamos a saga da busca pelas editoras.
1ªtentativa: Apoio dos amigos
Resolvemos entregar a obra para uma pessoa amiga, que iria encaminhá-la a um conhecido de uma renomada editora. Fiasco total. Depois de três meses aguardando, solicitamos a devolução da obra. E imagine a nossa decepção ao percebermos que, além de não ter sido "aprovada", ela não recebera nenhuma anotação sobre o motivo da não publicação. E uma ligeira desconfiança até hoje ronda nossos pensamentos: "Será que alguém leu?" Tudo bem. O caminho ainda não era esse.
2ªtentativa: Publicação independente.
Decidimos. O caminho era uma "publicação independente". Encontramos vários editores independentes na internet, e optamos por um que estava estabelecido no centro de nossa cidade. Marcamos a entrevista e fomos até lá. O trabalho tinha uma qualidade excelente, e o editor nos pareceu uma pessoa séria. Mas o preço final foi um balde de água fria no nosso entusiasmo. Teríamos que fechar o contrato em mil exemplares, chegando próximo aos dez mil reais. Se optássemos por uma tiragem menor, o custo unitário seria inviável. Detalhe: nossos maridos sempre foram contrários ao nosso trabalho, e não possuíamos outra fonte de renda. Entendam: (é duro assumir pública e bloguemente essa terrível situação) somos teúdas e manteúdas tentando penetrar no mundo dos fardões. Pelo menos, a metade da idade a gente já têm...
3ªtentativa: Cadastro Virtual
Descobrimos através da nossa grande aliada - A INTERNET, que poderíamos nos cadastrar em um site que atuava junto a editoras, servindo de intermediário em um processo seletivo para os escritores. Ficávamos expostos como em uma vitrine, com a sinopse do livro e uma parte dele sendo avaliados pelos interessados. Após quinze dias, oito editoras haviam lido parte do livro, e três entraram em contato, solicitando a obra completa. Estávamos nas nuvens. Avaliamos as propostas.
1ª Uma editora que custeava 50% da produção. Não queríamos; a 2ª prometeu mundos e fundos, oferecendo um lugar em uma prateleira virtual, onde, pela bagatela de menos de três reais(sendo que tínhamos direito a 20% desse valor), as pessoas poderiam ler nosso livro pelo computador. Como controlar isso? Enquanto alimentávamos a dúvida, surgiu uma oferta mais tentadora: uma autopublicação, onde pagaríamos um preço razoável pela editoração do livro, e ele seria comercializado pela internet, no site da editora.
E aqui estamos: nosso livro está no forno. Esperamos que ele não seja incinerado...
A Magia do Amuleto - 02/09/2008

Esse é o título do nosso primeiro livro. Nele, vocês encontrarão amor, aventura e magia, envolvendo dois personagens inesquecíveis: Yana e Rodrigo.
A história se passa no século XVII, na Amazônia, época em que os europeus buscavam o "Eldorado". O encontro inevitável de duas culturas tão distintas serve de apoio para o desenrolar da trama.
Postamos aqui um trecho desse livro, em fase final de produção:
"Isso tudo podia ser real, mas estava tão distante da sua vida... Olhou para o céu e viu que o sol continuava a iluminar aquele cenário inebriante, apesar de sua angústia. Seu corpo estava rígido e seu maxilar contraído; a notícia crescera dentro dele como uma tempestade em alto-mar, e seu peito doía ao respirar. Era preciso reagir... Ao longe, o som de uma cachoeira fez com que despertasse de suas inquietações. Teve vontade de mergulhar, nadar e esquecer tudo por um momento. Subindo por entre as pedras que se erguiam ao lado, avistou as águas límpidas jorrando em um lago sinuoso, cercado por belas flores selvagens. De imediato, desceu e arrancou as roupas, mergulhando com prazer nas águas refrescantes. Quando emergiu, emudeceu: Yana estava parada à sua frente. Ela era perfeita, e sentiu aumentar dentro de si o desejo que o consumia desde que a conhecera. Com os cabelos negros molhados caindo sobre os seios e o corpo nu, ela parecia fundir-se com a magia do cenário. A pureza de seus olhos assustados contrastava com o apelo sensual do seu corpo. A beleza de sua pele dourada caiu sobre ele como um raio: era uma visão, um delírio. Precisava amá-la com todos os seus sentidos. Nada mais importava naquele momento. Nem de onde vinha, nem para onde ia. Encantado, só conseguiu sorrir para os olhos verdes que o fitavam."
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Minha'lma de sonhar-te, anda perdida
Florbela Espanca
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver, pois que tu és já toda a minha vida
Não vejo nada assim, enlouquecida
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser, a mesma história tantas vezes lida
Tudo no mundo é frágil, tudo passa
Quando te digo isso, toda a graça
De tua boca bonita fala em mim, de olhos postos em ti, digo de rastro
Podem voar mundos, mover astros
Que tu és como um deus, princípio e fim."
Florbela Espanca
