
" O barulho das ondas batendo contra o casco do navio era como um lamento aos ouvidos do capitão, e a cena em que o corpo do amigo fora engolido pelas águas do mar não saía de seu pensamento. No íntimo, Rodrigo sabia que a dor pela perda de Juan seria superada. Pensava às vezes que até seria melhor se fosse ele a sucumbir naquela derradeira batalha, pois era um modo mais fácil de acabar com sua amargura. Seu instinto o fez apertar o amuleto na palma da mão. Ele nunca fora um covarde... o cansaço estava vencendo o guerreiro, e com passos largos desceu até a cabine para tentar dormir um pouco. Ao deitar-se, sentiu os olhos pesados, e nem percebeu quando adormeceu. Foi um sono agitado, abalado por fatos recentes de sua vida. Sua mente não descansava... As sangrentas batalhas, as longas noites solitárias e a imensa saudade de sua amada o conduziam a um longo túnel, de onde não havia saída. De repente, um vulto surgiu, estendendo-lhe a mão. Era uma mulher com longos cabelos negros, que caíam sobre uma veste prateada. Um amuleto em forma de sol repousava em seu colo. Ao vê-la sorrir, sentiu um grande amor envolvê-lo.
-Mãe?
-Filho, venha comigo, Yana precisa de você!
Então ele se levantou, unindo suas mãos às dela, e a acompanhou. Sua camisa encharcada de suor estava colada aos músculos enrijecidos pela tensão; subiu pela escada de corda até a cesta da gávea do mastro mais alto, e viu a vastidão do mar envolta em uma densa bruma. O forte luar penetrava pela névoa, criando visões. Viu o rosto de Yana numa máscara de dor, chamando por ele. Precisava estar com ela. Fechando os olhos, atravessou a escuridão e postou-se a seu lado, envolvendo com amor suas mãos úmidas e geladas."
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