Promoção de Natal

24 de mar de 2012

Ao encontro de seu amor...






    " O barulho das ondas batendo contra o casco do navio era como um lamento aos ouvidos do capitão, e a cena em que o corpo do amigo fora engolido pelas águas do mar não saía de seu pensamento. No íntimo, Rodrigo sabia que a dor pela perda de Juan seria superada. Pensava às vezes que até seria melhor se fosse ele a sucumbir naquela derradeira batalha, pois era um modo mais fácil de acabar com sua amargura. Seu instinto o fez apertar o amuleto na palma da mão. Ele nunca fora um covarde... o cansaço estava vencendo o guerreiro, e com passos largos desceu até a cabine para tentar dormir um pouco. Ao deitar-se, sentiu os olhos pesados, e nem percebeu quando adormeceu. Foi um sono agitado, abalado por fatos recentes de sua vida. Sua mente não descansava... As sangrentas batalhas, as longas noites solitárias e a imensa saudade de sua amada o conduziam a um longo túnel, de onde não havia saída. De repente, um vulto surgiu, estendendo-lhe a mão. Era uma mulher com longos cabelos negros, que caíam sobre uma veste prateada. Um amuleto em forma de sol repousava em seu colo. Ao vê-la sorrir, sentiu um grande amor envolvê-lo.
-Mãe?
-Filho, venha comigo, Yana precisa de você!
Então ele se levantou, unindo suas mãos às dela, e a acompanhou. Sua camisa encharcada de suor estava colada aos músculos enrijecidos pela tensão; subiu pela escada de corda até a cesta da gávea do mastro mais alto, e viu a vastidão do mar envolta em uma densa bruma. O forte luar penetrava pela névoa, criando visões. Viu o rosto de Yana numa máscara de dor, chamando por ele. Precisava estar com ela. Fechando os olhos, atravessou a escuridão e postou-se a seu lado, envolvendo com amor suas mãos úmidas e geladas."

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A Sacerdotisa Yana e o Capitão Rodrigo

Capa do livro "Herança da Paixão", de Shannon Drake
Minha'lma de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver, pois que tu és já toda a minha vida

Não vejo nada assim, enlouquecida
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser, a mesma história tantas vezes lida

Tudo no mundo é frágil, tudo passa
Quando te digo isso, toda a graça
De tua boca bonita fala em mim, de olhos postos em ti, digo de rastro

Podem voar mundos, mover astros
Que tu és como um deus, princípio e fim."

Florbela Espanca