Promoção de Natal

16 de fev. de 2012




"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo." 
Clarice Lispector


E lá se vão os sonhos... transforma-se a paixão em tormento, a alegria em resignação, a ousadia em disfarce, a beleza em ilusão, o companheirismo em fardo. 
Triste fim de quem não soube se amar.

14 de fev. de 2012

A Vida me Ensinou - Charles Chaplin

A vida me ensinou… 
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração; 
Sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam; 
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, 
para que eu possa acreditar que tudo vai mudar; 
Calar-me para ouvir; 
Aprender com meus erros, afinal eu posso ser sempre melhor. 
A lutar contra as injustiças; 
Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo, 
A ser forte quando os que amo estão com problemas; 
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho; 
Ouvir a todos que só precisam desabafar; 
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão; 
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor; 
A alegrar a quem precisa; 
A pedir perdão; 
A sonhar acordado; 
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário); 
A aproveitar cada instante de felicidade; 
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar; 
Me ensinou a ter olhos para “ver e ouvir estrelas”, 
embora nem sempre consiga entendê-las; 
A ver o encanto do pôr do sol; 
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, 
sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser; 
A abrir minhas janelas para o amor; 
A não temer o futuro; 
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente, 
como um presente que da vida recebi, 
e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenho que lapidar, 
dando-lhe forma da maneira 
que eu escolher.

15 de dez. de 2011

Soneto do Amigo - Vinicius de Moraes


Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado. 

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo. 

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano. 

O amigo: um ser que a vida não explica 
Que só se vai ao ver outro nascer 
E o espelho de minha alma multiplica...

12 de dez. de 2011

Mario Quintana

Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela... 
Um dia nós percebemos que as mulheres que têm instinto "caçador" fazem qualquer homem sofrer... 
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável... 
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples... 
Um dia percebemos que o comum não nos atrai... 
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom... 
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você... 
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..." 
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso... 
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas aí poderá ser tarde demais... 
Enfim... 
Um dia descobrimos que, apesar de viver quase um século, esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, 
para beijarmos todas as bocas que nos atraem, 
para dizer tudo o que tem de ser dito... 
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida, ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras... 
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

6 de out. de 2011

Para lá que eu vou... Clarice Lispector


"Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou.

À ponta do lápis o traço.

Onde expira um pensamento está uma ideia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.

Na ponta dos pés o salto.

Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.

Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.

Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra "tertúlia" e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira do eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? Ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio.

Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.

É para o meu pobre nome que vou.

E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.

À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? o que importa? os ventos as trazem de novo e eu as possuo.

Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.

Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente.

Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós."

A Sacerdotisa Yana e o Capitão Rodrigo

Capa do livro "Herança da Paixão", de Shannon Drake
Minha'lma de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver, pois que tu és já toda a minha vida

Não vejo nada assim, enlouquecida
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser, a mesma história tantas vezes lida

Tudo no mundo é frágil, tudo passa
Quando te digo isso, toda a graça
De tua boca bonita fala em mim, de olhos postos em ti, digo de rastro

Podem voar mundos, mover astros
Que tu és como um deus, princípio e fim."

Florbela Espanca